domingo, 25 de julho de 2010
Crônica do Amor
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Arnaldo Jabor
sábado, 24 de julho de 2010
Enfrentando a dor da traição
Reflita sobre quais escolhas e atitudes levaram à infidelidade
Quanto maior o QI do homem menos ele trai, enquanto a mulher, pela sua natureza mais fiel, não apresenta essa diferença. Essas informações de uma pesquisa britânica me fizeram refletir sobre a relação entre a inteligência e a ocorrência de traições.
À medida que conhecemos e percebemos nossos limites, mais conseguimos nos expressar, dialogar e chegar a conciliações. Lidamos melhor com nós mesmos e com o outro. Assim, somos capazes de fortalecer vínculos e solucionar brechas energéticas do relacionamento, antes que elas levem a situações como a traição.
Muitas vezes as pessoas são pegas de surpresa pela traição. Mas ela é construída, resultado de um processo. Nós literalmente criamos e alimentamos a traição com pequenas atitudes e escolhas do dia-a-dia. Sem perceber, ignoramos a realidade e a verdade de nós mesmos e do outro continuamente. Por isso essa situação dolorosa representa um importante aprendizado, chamando nossa atenção para aquilo que estamos criando sem consciência.
Quem tem uma visão limitada sobre si mesmo também a tem para o outro. Se duas pessoas não conseguem enxergar a si mesmas, como alcançarão uma a outra? Elas acabam vivendo realidades distintas que não se encontram, cada um vive em sua realidade distorcida.
Ilusão x Verdade
É comum construirmos nossos relacionamentos em bases falsas que um dia se desfazem. Viver ilusões é cansativo, pois precisamos continuamente nos policiar, nos tolhendo e atuando em papeis que não correspondem a quem realmente somos. Não atendemos às nossas verdadeiras necessidades e vontades.
Alimentar ilusões pode funcionar por algum tempo, por anos ou até por uma vida inteira. Mas o risco delas se desfazerem a qualquer momento é enorme. Esse risco pode colocar também em jogo um dos pilares básicos de um relacionamento: a confiança.
A traição sempre traz à tona muita dor, que vai sendo acumulada ao longo do relacionamento. A cada vez que deixamos de nos colocar, que cedemos ao outro desrespeitando a nossa verdade, que tentamos manipular, que olhamos apenas para o outro sem olhar para dentro de nós mesmos e vice-versa. Assim, a maior traição acontece primeiramente dentro de nós mesmos quando traímos a nossa verdade.
O eu machucado e distorcido
Quando nos omitimos ou nos colocamos de forma agressiva não estamos no verdadeiro eu, mas em nosso "eu machucado", que distorce os fatos e o peso dos acontecimentos. Imagine que alguém esbarra levemente em você. Agora imagine que alguém esbarra da mesma maneira, mas bem em cima de seu machucado.
O estímulo externo é o mesmo, mas a sensação ao recebê-lo é completamente diferente. Por isso, a resposta do "eu machucado" é movida pela dor e toma um tom defensivo.
O outro, por sua vez, também pode também receber e interpretar essa resposta a partir do seu "eu machucado". Perceba quanta dor é colocada no relacionamento, ao mesmo tempo em que a verdade vai se perdendo dessa dinâmica.
O que geralmente acontece é a falta de vontade e de autocomprometimento em perceber e buscar continuamente a real qualidade da energia que criamos em nós e em nosso relacionamento.
É preciso enfrentar sentimentos e crenças negativas, percebendo esse "eu machucado" e distorcido, que nos faz ter atitudes baseadas no medo, na raiva, na manipulação.
Você está consciente das escolhas que tem feito?
Não há certo ou errado, mas escolhas e consequências. Você percebe a energia por trás de suas escolhas em seus relacionamentos?
É amor ou medo?
É o amor ou a preguiça de ter que enxergar e trabalhar diferenças?
É amor ou autoafirmação?
É preciso se desapegar do externo, fazendo escolhas baseadas na sua verdade. É claro que devemos considerar o parceiro, mas não podemos nos decidir em função dele em detrimento de nós mesmos.
Se você traiu ou foi traído vale a pena refletir e buscar dentro de si, da maneira mais sincera e honesta possível, como se formou o caminho que o levou a traição.
Quais atitudes suas, sejam ativas ou passivas, contribuíram para a traição?
Quais questões e sentimentos seus estão desarmonizados?
"Evite a armadilha de culpar
o outro ou a si mesmo,
pois isso também significa negação e fuga,
apenas agravando a situação."
É possível perdoar uma traição?
Enxergue o aprendizado da situação e liberte-se da dor ou culpa
Estamos permanentemente vivendo oportunidades de aprendizados e crescimentos a partir de nossas escolhas. Quando não as realizamos de forma consciente e em sintonia com nossa verdade interna, isso se reflete externamente, em nosso corpo físico, em nossos relacionamentos e em todas as situações em que vivemos.
Quando tomamos repetidamente escolhas de forma inconsciente, estes reflexos se manifestam a princípio de forma mais sutil e limitada. Apresentam-se como pequenos mal estares físicos e acidentes, ou em pequenas brigas e desentendimentos em nosso dia-a-dia. Quando não aprendemos a enxergar e compreender as lições que essas situações nos mostram enquanto ainda sinalizam de modo menos intenso, podem se amplificar em doenças graves, grandes perdas ou acidentes, e até mesmo traições afetivas.
Culminação extrema de um longo processo anterior, as traições em relacionamentos nunca acontecem à toa. Sempre apontam uma situação subjacente, essa sim o foco de nossa atenção ao se lidar com a traição. A responsabilidade nunca é exclusivamente do "traidor". Ele pode ter sido o agente ativo, mas o "traído" é também agente, ainda que passivamente.
Ao vivenciar uma traição é importante que, apesar de toda a dor, se encare conscientemente a situação. Acesse o processo subjacente buscando sua própria responsabilidade nele. A principal pergunta não é:
"Porque ele(a) fez isso?" ou "O que eu fiz de errado?", mas "O que essa traição mostra sobre mim? Que questões minhas estão envolvidas na situação?". Evite a armadilha de culpar o outro ou a si mesmo, pois isso também significa negação e fuga, apenas agravando a situação.
Uma vez detectada sua questão, assuma sua responsabilidade, enxergue e aceite a situação como ela realmente é. Saia do papel de vítima e de culpa, e comprometa-se com você mesmo em enxergar e aprender efetivamente a lição implícita na situação. Você pode procurar ajuda terapeutica e orientação profissional. Não importa qual o caminho escolhido, mas ao realizar esse compromisso, concretize-o em ações e nas transformações necessárias.
Perdoar uma traição significa antes de tudo, perdoar a si mesmo: aceitar sua verdade e assumir seu aprendizado na situação. Só assim será capaz de enxergar a verdade do outro e assim, perdoá-lo.
Se isso significa que vai haver reconciliação ou não, não importa. Sem o autoperdão, a lição que a traição veio mostrar continua não aprendida. A raiz da traição continua não resolvida dentro de você, e futuramente ela se mostrará novamente em outra situação desagradável, ou até mesmo em outra traição, seja com o mesmo parceiro ou com outro.
Entrar em contato com a raiz da traição dentro de si pode ser extremamente doloroso. Se até o momento houve negligência em relação a essas questões, bem provavelmente elas não devem ser fáceis de se encarar. No entanto, por mais dolorido que seja o processo, mergulhe e liberte-se.
Encare suas lições ao invés de mascarar a dor. Vá ao âmago da questão principal e resolva não só essa traição, mas todas as situações que antes dela vieram. Liberte-se para vivenciar um futuro com novas experiências mais agradáveis.
Conversa no escuro...
"Mãe, posso dormir com você?", "Claro, meu amor!" e assim deitamos as duas na imensa cama e enquanto sentíamos o aconchego dos lençóis e do escuro do quarto começamos a conversar, a pensar alto, a perguntar simplicidades. Ficamos ali, conversando na escuridão sobre lembranças luminosas e lançando luz sobre as não-lembranças, as lacunas, as imagens silenciadas.
Falamos de amor. Das aflições, das delícias. Ela me diz que traz o coração aos pulos e a cabeça cheia de incertezas febris e vontades de condor. (Entre a vertigem do vôo e a segurança do ninho, minha filha exercita asas e lucidez.) Ela me falou dos efeitos físicos do amor: insônia, inapetência, dor de estômago, palpitação enquanto eu lia nela os efeitos do amor: olhos brilhantes, corpo de jovem leoa, cabelos desalinhados cheios de idéias e liberdade, fala de mulher, repleta de intuições, suspiros e apreensões.
Minha filha quis saber dos cheiros que eu guardava na memória. Eu lhe falei do cheiro da chuva encharcando a terra quente, do bagaço da cana, do cacau torrado, do fogão à lenha. O cheiro do Rio de Janeiro nos anos 60, um cheiro azul! A rouparia da minha avó enfeitada com pequenos feixes de raiz de sândalo cheirava aconchego. Eu lhe contei que dava nome às curvas do caminho para a fazenda e que lembro até hoje das pedras do rio: uma era grande e plana como um degrau, as outras bem arredondadas, depois uma pontuda muito imponente... Todas cobertas de limo, familiares e solenes.
Transpô-las era parte do ritual do banho de rio. (Até hoje fecho os olhos e com pés imaginários contorno aquelas pedras para depois lançar-me nas águas do rio que corre dentro de mim.) Dou a minha filha, minhas lembranças mais felizes e ela as recolhe como quem encontra estrelas no chão.
Ela me falou da primeira camisola que ganhou depois que tirou a fralda, da alegria de me dar colares feitos de macarrão, da importância dos meus bilhetes desejando boa prova, de brincar com o avô muito fraquinho na cama do hospital, da tristeza de encontrar uma baleia encalhada na praia, do encantamento de ver o Lucky andando no corredor do apartamento: "Gente! Nós ganhamos um cachorrinho!".
Minha filha tem alma de artista, olhos de poeta e leveza de beija-flor. Ela nasceu cor de rosa com jeito de aurora, rechonchuda como um boto, inesperada como um milagre. Veio trazendo muitas boas novas, desafios e sorrisos. De um jeito mágico, minha filha me trouxe de volta para mim mesma. Nasci dela.
Minha filha chegou para me ensinar a viver melhor e tem a gentileza e a generosidade de me fazer perguntas e querer aprender comigo. Ela lembra das minhas histórias, sabe o nome dos cavalos que eu cavalguei na infância, conhece os casos de assombração das minhas noites insones. Ela me vê menina: “Mãe, se eu te conhecesse na escola ia querer ser sua amiga!".
Minha filha tão intensa e profunda visita meu passado para me fazer presente em sua vida. Minha filha tão curiosa e ávida quer conhecer o que ama e amar o que conhece e eu me deixo conhecer por muitos inteiros pois sou muitas. Ela já viu meus abismos, meu rosto transfigurado pela dor, já ouviu minha voz encharcada de ressentimento, já me buscou em vão, quando perdida de mim afastava-me da luz.
Minha filha tão livre e luminosa me conta o que aprende, o que escreve e o que gosta. Me toma pela mão e num gesto amoroso me descortina seu mundo, seu olhar, as impressões que os livros, os filmes, os mestres e as viagens vão deixando no seu espírito irrequieto e incansável. Num acordo tácito, ela acessa minha memória e eu vislumbro a construção fascinante do acervo da sua alma. Fico maravilhada! Já não posso acompanhar o desenho do seu vôo. Ela é maior, mais forte, mais sábia.
Penso contraditória, orgulhosa e humilde, sou sua mãe, e isso quer dizer, fui transformada por ela...
Minha filha honra o que me é mais sagrado: o amor às palavras, aos horizontes largos e à alegria de viver. Ela nasceu do meu corpo mas é a minha alma que a reconhece.
(colaboração de uma leitora do blog. Obrigado)
SER ESPÍRITA
Ser espírita não é ser nenhum religioso; é ser cristão.
Não é ostentar uma crença; é vivenciar a fé sincera.
Não é ter uma religião especial; é deter uma grave responsabilidade.
Não é superar o próximo; é superar a si mesmo.
Não é construir templos de pedra; é transformar
o coração em templo eterno.
Ser espírita não é apenas aceitar a reencarnação;
é compreendê-la como manifestação da Justiça Divina
e caminho natural para a perfeição.
Não é só comunicar-se com os Espíritos, porque todos
indistintamente se comunicam, mesmo sem o saber; é
comunicar-se com os bons Espíritos para se melhorar e
ajudar os outros a se melhorarem também.
Ser espírita não é apenas consumir as obras espíritas
para obter conhecimento e cultura; é transformar os livros,
suas mensagens, em lições vivas para a própria mudança.
Ser sem vivenciar é o mesmo que dizer sem fazer.
Ser espírita não é internar-se no Centro Espírita,
fugindo do mundo para não ser tentado; é conviver
com todas as situações lá fora, sem alterar-se como
espírita, como cristão.
O espírita consciente é espírita no templo, em casa,
na rua, no trânsito, na fila, ao telefone, sozinho ou no
meio da multidão, na alegria e na dor, na saúde e na doença.
Ser espírita não é ser diferente; é ser
exatamente igual a todos, porque todos
são iguais perante Deus.
Não é mostrar-se que é bom; é provar a si próprio
que se esforça para ser bom, porque ser bom deve
ser um estado normal do homem consciente.
Anormal é não ser bom.
Ser espírita não é curar ninguém; é contribuir para que
alguém trabalhe a sua própria cura.
Não é tornar o doente um dependente dos supostos
poderes dos outros; é ensinar-lhe a confiar nos poderes
de Deus e nos seus próprios poderes que estão na
sua vontade sincera e perseverante.
Ser espírita não é consolar-se em receber;
é confortar-se em dar, porque pelas leis
naturais da vida, "é mais bem aventurado
dar do que receber".
Não é esperar que Deus desça até onde nós estamos;
é subir ao encontro de Deus, elevando-se moralmente e
esforçando-se para melhorar sempre.
(Do Livro "Aprendendo a lidar com as crises" –
Wanderley Pereira.)
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