segunda-feira, 5 de julho de 2010



Contigo a meu lado eu estou contigo,
tu és uma fonte de cintilante frescura.
A tua amizade é uma estrela sutil;
a tua atenção é a lâmpada de uma flecha estridente.
O teu sorriso estala como uma estilha colorida que reacende
a minha inocência adolescente.
Contigo a meu lado o tempo tem outro espaço
e o aroma de uma fábula de outra vida
de uma cor leve do azul do céu...

Lenta luz

A lenta luz deste poema: Este poema é desenhado com as mãos de todas as sensações contidas. Com os dedos que tocam a grafia desértica da lua e sentem a leveza branca das montanhas e a luz vagarosa que se expande. Sinto na boca o sabor de um fruto fresco suspenso em cada sílaba de sal. Os meus gestos desenham calmas marés e nos ombros repousa uma melodia inacabada. Quero unir a lenta luz deste poema às carícias tímidas de um arbusto que dança levemente com a folhagem...

imagino...

... imagino a outra metade coberta por um véu, a espessura, a sombra, um enigma por decifrar, o sol que divide as mãos,
ou mesmo uma dança, dois corpos na proa de um barco, mas regresso sempre a mim e
confesso à mão com o peso da raiz em comunhão...

Sinto...

Conta-me uma história como se fizesses girar a roda do tempo.
Coloca-me nos dedos o movimento da semente que nos meus olhos germina.
O chão moldou a tua passagem pela noite...
Mas o dia continua em ti...
Sinto que escutamos o som dos veios rodando
e como aves desenhamos circunferências em torno de um eixo,
o nosso próprio rosto...
Sulcamos o templo,
o fogo e o metal da passagem...
Tocamos a porta para abrir um momento....
Conta-me como um rosto consegue dilatar os círculos contendo o lado mais obscuro da matéria...
Agora que descobriste esta casa,
repousa as mãos,
olha...
Conta-me...
Como se fosses o sopro que me acolhe no interior da esfera...

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