domingo, 6 de março de 2011

EFEITOS PSICOSSOMÁTICOS DO TOQUE



Graciosa e carinhosamente ela se aproximou de mim, olhou em meus olhos, roçou minha pele, enroscou-se entre minhas pernas tocando e desejando ser tocada. Inicialmente procurei afastá-la, entretanto, por mais que resistisse, acabei cedendo aos seus encantos e prazerosamente deslizei minha mão sobre seu lindo corpo. Ah! Ia esquecendo... ela também me deu umas arrepiantes lambidas...

Caro leitor, não se assanhe nem se escandalize, refiro-me a uma linda cachorra, a Taipa, mistura de Pastor Alemão com Rottweiler, pertencente a um amigo. Ironicamente, não raras vezes os animais desfrutam mais daquilo que como seres humanos andamos tão carentes, isto é, de toque.

Em geral, quando tocamos um animal o fazemos esvaziados de preconceitos e tabus. Estão mais do que provados os benefícios de se ter um animal no qual se possa tocar com liberdade, aceitação e puro carinho. Os benefícios, tanto para o animal quanto para a pessoa, são comprovadamente os mais variados.

No decorrer da história, o toque e a sobreposição de mãos estão associados a incontáveis relatos de cura. Tocar fisicamente, objetivando o restabelecimento da saúde, é uma prática que remonta há mais de 15 mil anos. Pinturas em cavernas nos Pireneus, primitivos entalhes em rocha, pinturas na China, Egito e Tailândia apontam para este fato.

Quando penso no efeito psicoterapêutico do toque, lembro-me de Jesus e de inúmeras curas realizadas a partir de seu amoroso toque e da imposição de suas mãos. Jesus sabia do poder que o contato físico possui de transmitir amor, de curar, de aliviar a dor, e da sensação de bem-estar e acolhimento que transmite. O poder que resultava em cura - da mente, do corpo, dos sentimentos e relacionamentos - protagonizado por Jesus fluía muitas vezes pela mediação do toque. Vários são os relatos bíblicos a confirmarem este fato.

Minhas filhas gêmeas nasceram prematuramente e uma delas precisou ficar em incubadora para ganhar peso. Durante o período que lá esteve era minha obrigação, também, tocar seu frágil corpinho, sua delicada pele, com as pontas de meus dedos. Era interessante observar sua reação ao toque. Infelizmente, há mais de vinte anos atrás eu tinha pouca consciência da importância do toque; sempre acho que a toquei menos que o necessário. Hoje sei que a experiência mais precoce, mais elementar, determinante e provavelmente mais dominante do bebê ao nascer, é a tátil.

O contato físico não é apenas um estímulo agradável, mas uma necessidade biológica. À medida que crescemos e os anos passam, as formas de contato físico podem variar, mas não a necessidade delas. São muitos e graves os distúrbios psíquicos, somáticos e de relacionamento, advindos da insuficiência de toques na infância. Será que há alguém que tenha sido tocado devidamente, suficientemente e de forma satisfatória?

Filhos de pais que expressam seus afetos em constantes toques sobressaem-se aos que são raramente tocados. Demonstram maior autoestima, são mais sociáveis e mais tranqüilos. Crianças que são alvos de amorosos toques tem mais carisma, pois a energia flui livremente. Claro que me refiro a pais psiquicamente saudáveis.

Assim como o contato físico pode carregar intenções carinhosas e afetuosas que geram conforto, ânimo e efeitos curadores, ele pode também ser veículo de intenções abusadas e traumatizantes. Vale lembrar que o toque trás consigo sua intenção e que se encontra gravada na pele a memória emocional capaz de decodificá-lo; portanto, é praticamente impossível disfarçar a intenção, a emoção de um toque. Não dá para tocar de modo superficial e declarar afeto nem tocar sexualmente e declarar que o desejo é apenas de amizade. Por mais que se afirme ou negue, o toque carrega em si a verdade sobre sua real intenção.

A diferença entre um contato acolhedor e amigável e um cujo objetivo é excitar sexualmente, não deixa dúvida. Não se trata de optar por este ou por aquele; ambos são importantes e necessários, podendo ser também terapêuticos. A questão, portanto, está no quando, como, em quem e para que.

A ausência de toque é, também, um dos fatores geradores de promiscuidade. Se os relacionamentos primários satisfizessem a demanda que as pessoas sentem de contato físico, os relacionamentos secundários seriam bem mais escassos. Há muitos motéis cheios de pessoas carentes de toque. Para muitos, o sexo é a única forma que conhecem para satisfazer esta necessidade: a fome da pele.  No entanto, o que na verdade sentem falta é de serem abraçados e tranquilizados por toques ungidos de gentileza, compreensão e ternura.

Não são poucos os casos de pessoas que, após romper com um relacionamento pobre em toques e arranjar um parceiro onde o toque carinhoso é abundante, deixam "milagrosamente" suas atividades sexuais extraconjugais. A aventura sexual e a compulsão para o sexo, em muitos casos, não passam de desesperada carência de toque. E, faltando a magia do toque, de pouco adiantarão as condenações advindas da moral religiosa, da ameaça do inferno ou da promessa do céu.

Destituídos de contatos, de toques, de abraços, de afagos no convívio familiar e entre amigos, recorremos cada vez mais aos profissionais do toque. E, assim, cresce a importância e a demanda por aqueles que suprem esta carência, quer sejam estes profissionais ou charlatões. Até mesmo cabeleireiros e barbeiros, conscientemente ou não, acabam suprindo, também, a nossa fome de toque.

No que tange a oferecer alívio, segurança, ternura, conforto e confiança, nada se compara ao toque afetuoso. É um bálsamo milagroso para os momentos em que nos sentimos solitários, cansados, fragilizados ou assustados. Em tais circunstâncias, um afago, um abraço, um toque carinhoso é fonte de refrigério que revitaliza corpo e alma.

Sem desconsiderar as diferenças e preferências entre os visuais, auditivos e sinestésicos, ou ainda entre os introvertidos e extrovertidos, não tenho dúvida de que o toque a todos faça bem.

Quantos abraços você já ganhou hoje? Muitos, nenhum? Gostaria de ser abraçado carinhosamente, ser aconchegado nos braços de alguém? No que diz respeito a abraços, nada é mais verdadeiro do que a recomendação de Jesus "tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei vós também a eles".

Ah! E não se esqueça que é dando que se recebe. Esta máxima não se aplica apenas aos boxeadores, vale para os carinhos, os chamegos, os toques e os abraços também.

Se este artigo lhe foi importante, por favor, "me dê um toque".

Sou Gota em um Rio

Como pequenas gotas d'água, fazemos parte de um rio que está sempre a fluir... A cada fração de segundo se transforma, sempre diferente, unidas às outras gotas semelhantes a nós, com essências iguais, mas diversas se forem analisadas com atenção. Somos parte de um Todo e em nós temos este Todo.

Tendo a consciência deste pertencimento a algo muito maior do que nós, se nos entregamos ao fluxo deste grande rio, sem medos, se não lutamos contra a correnteza, mas nos deixamos levar com confiança, seguimos adiante sem tantos problemas.

Temos que ultrapassar obstáculos que surgem, a todo instante, pedras, reentrâncias da margem, troncos que bóiam, mas não estamos sós, se nos entregamos ao fluxo poderoso da Vida que nos vai conduzindo... Para onde? Para o Grande Mar, que é onde desembocam as águas de todos os rios deste planeta, não importando o tamanho de cada um deles.

Neste fluir, muito aprendemos, principalmente treinando a paciência e a aceitação. Sendo pequenas gotinhas d'água, nem tudo compreendemos e quase nada podemos controlar! Vamos sendo levadas pela Vida, que sincronicamente e com muita harmonia, nos conduz, sempre pra frente, e nunca sós. Somos importantes porque fazemos parte das águas caudalosas deste rio, que quando para de fluir, adoece... Pra frente é que ele precisa andar. Sempre... Quando chegaremos ao Mar? Não sabemos, mas isto pouco importa - é preciso cooperar com o fluxo e ir indo, da forma mais confiante possível.

Uma gotinha sozinha muito pouco representa, mas quando se mistura às outras, produz movimento, cresce, vai em frente.
Esta imagem forte que me chegou me dá a idéia da importância de nos entregarmos à Vida, a Deus, ou ao Amor (usemos o nome que mais nos toque o coração), pois existe um caminho muito sábio, muito bonito, mesmo quando nos faz tropeçar, retroceder para avançar, que Alguém traçou pra nós e que se nEle confiarmos, chegaremos a um local muito doce e ao mesmo tempo muito poderoso, pleno de paz, que está em cada um de nós, onde estaremos felizes, num silêncio sem palavras, mas cheio de significado.
Quando temos a ilusão de querer controlar a nossa vida, muitas vezes saímos do curso deste rio e - sozinhos - tentamos ir contra a correnteza da Vida. E nos ferimos muito, atrasando também a nossa chegada.

Ter fé em Deus é ter fé na Vida, em seu fluxo, pois Deus está em tudo e em todos e nos fala a todo instante. Das formas mais variadas, discretamente ou em altos brados, em todos os locais em que estivermos. Somos gotas de um rio que precisa de cada um para ser o que é. É preciso que nos demos as mãos, que nos unamos, que busquemos redirecionar as gotas que teimam em não se colocar neste local de aconchego, de amor partilhado, que é a vida, quando nos reconhecemos Amor e percebemos o mesmo no outro, seja ele nosso conhecido, ou não.

Se como gota ficarmos isoladas do rio, vamos nos aniquilar, pois os raios solares nos secarão bem rapidamente. Só unidos aos outros irmãos, venceremos e teremos a confiança de transpor qualquer dificuldade que nos surja no caminho. Há um ditado popular - e como são sábios - que diz que a união faz a força!

O momento é de união. De olharmos amorosamente quem nos observa ou caminha ao nosso lado, no ônibus, na rua, no avião, aonde for. Vamos demonstrar aos que nos encontram - nunca por acaso - que o reconhecemos como gota do mesmo rio do qual fazemos parte! Ele vai nos entender, mesmo que não verbalize isto. E nosso exemplo lhe dará um roteiro para que faça o mesmo, pois gentileza gera gentileza... já nos dizia um poeta de rua, que nada de material possuía.

A sensação de fazer parte de um rio me dá serenidade e me torna forte para continuar. Também me ensina que nunca há um momento igual ao outro, pois as águas não param de correr, de fluir... O tempo está passando muito rápido, vamos nos dar as mãos e vamos confiantes ao encontro do Mar, que é Amor e Paz.

A vida passa, mas o sentimento fica



O vazio interior é uma sensação estranha que muitas pessoas -mais do que imaginamos- sentem em grande parte de suas vidas. Algo que o indivíduo não consegue definir com exatidão o que o incomoda, mas que representa um desconforto psíquico em forma de insatisfação geradora de melancolia, frustração, desesperança e, em casos mais complicados, fastio pela vida.

Angústia originada pela privação ou ausência de algo que é -ou foi- significativo para a pessoa, o vazio interior resulta em somatização no organismo humano, onde a depressão encontra "terreno fértil" para fincar as suas bases.

No entanto, psicoterapeutas que lidam com a natureza interdimensional de seus pacientes, sabem que a sensação de vácuo interior tem a sua história intimamente ligada às vivências do espírito imortal. História que acrescenta um novo capítulo a cada reencarnação, tornando a experiência vital um ciclo vicioso que se encaixa ao padrão comportamental da pessoa.

Nesse sentido, é inegável que encontra-se na educação responsável, transmitida por pais biológicos ou substitutos amorosos e equilibrados, a missão do educador. Porém, como sabemos, nem sempre essa relação ideal se estabelece entre pais e filhos, e a falta das figuras referenciais, costuma gerar sequelas psíquicas que se manifestam na vida adulta em forma de desequilíbrios psíquico-espirituais.

Imaginemos, ao acompanhar esse raciocínio, o espírito reencarnado trazendo em sua bagagem de muitas vivências, a sequela do abandono ou da ausência. Experiências na relação com os pais que se repetem vida após vida, gerando dessa forma, um modelo de comportamento compatível com a queixa que a pessoa leva ao conhecimento do terapeuta...

Por este motivo, a natureza foi pródiga em associar o amor, a ternura e a afetividade à figura da criança. Justamente para despertar nos pais e educadores em geral, os sentimentos necessários e imprescindíveis à educação responsável e de qualidade.

Portanto, o amor transmitido pela educação consciente, é a única forma natural de recuperar espíritos que trazem no seu modelo comportamental, desajustes psíquicos. Nesse sentido, o amor na relação pais-filhos pode tornar-se em uma única encarnação, fator de cura do desequilíbrio que acompanha esse espírito há muito tempo...

O caso que apresentaremos a seguir, revela que por trás dos sintomas da pessoa em tratamento, há uma longa história comportamental de traço depressivo. Fato que a ciência oficial ao focar a sua investigação em apenas uma infância do indivíduo, não percebe a sua profundidade e essência. E, ao não perceber, perde em qualidade no sentido de proporcionar ao paciente um melhor nível de autodescobrimento que vise a autocura de seu sofrimento psíquico.

APRESENTAÇÃO DE CASO

Cristina, a filha do meio de uma relação complicada, chega ao consultório com a queixa de sentir um vazio interior, ou seja, uma insatisfação latente, uma falta de sentido para a vida. Além de um histórico de tratamento químico para a depressão.

Durante as sessões de psicoterapia de orientação psicanalítica, foi observado a produção de traumas psíquicos em sua infância. Traumas gerados na relação com um pai ausente, distante, e na relação com uma mãe desequilibrada emocionalmente. Sequelas que manifestam-se atualmente em forma de sofrimento psíquico.

No entanto, algo foi registrado como relevante durante as primeiras sessões do processo terapêutico, ou seja, o sentimento - ou sensação - de que o vazio que ela sente a acompanha desde os primeiros anos de sua infância. Essa informação foi indicativo para o encaminhamento da regressão de memória, experiência que ela acessou, via sentimentos, situações de outras vidas que sintonizaram com a sua queixa principal.

EXPERIÊNCIA REGRESSIVA

Na regressão à vida atual, Cristina acessa uma situação em que era bebê, e logo um sentimento de abandono materno apodera-se de si através de uma intensa manifestação catártica. A experiência fora um fato marcante em sua vida e diretamente relacionada à sua angustia de vazio interior.

Na sequência, Cristina percebe-se em um lugar afastado da civilização. Descreve as roupas que usa e a tarefa que executa naquele momento. É uma pobre camponesa que prepara com a sua rústica ferramenta, a terra para o cultivo. Apesar de ser uma mulher jovem, sente no corpo os efeitos do trabalho duro,   e na pele, a inclemência do sol e dos ventos da região. Maltrapilha, sente um profundo desgosto por aquela vida que considera de privações. Identifica no camponês que trabalha próximo a ela, o homem de seu último relacionamento que durou sete anos, e pelo qual, não nutre sentimento positivo.

Na segunda vivência, Cristina percebe-se vivendo em uma cidade de características medievais. Tem um casal de filhos que descreve como de pele clara, cabelos louros e olhos azuis. O marido é uma boa pessoa, mas confessa que não sente atração física pelo fato do mesmo ser de estatura baixa, obeso e ter as "bochechas" salientes. Com o passar dos anos ela percebe-se separada desta pessoa e vivendo com um "homem de farda", conforme registra. Os filhos já são adolescentes e o homem é muito severo com ela e os filhos. Então, uma sensação de vazio e de infelicidade determinam a sua escolha: fugir com os filhos e abandonar o homem de farda. Porém, o mesmo sentimento a acompanha até o final daquela vida, quando sente-se só e desamparada.

COMENTÁRIO

Quando associada à psicoterapia, a regressão tem o mérito de resgatar da memória o que o indivíduo necessita para elaborar a sua própria cura, além de despertá-lo para potencialidades até então desconhecidas de sua natureza interdimensional.

Cristina é uma pessoa simples, sem conhecimento ou experiências no âmbito das teorias reencarnacionistas. Por este motivo, marcou-me uma frase dita por ela logo após a experiência regressiva: Doutor, como pode eu ter sido uma pessoa loura, de pele clara e olhos azuis? Questionamento compreensível porque na vida atual Cristina é morena clara, de olhos e cabelos escuros...

Na verdade, a sua experiência regressiva foi rica na proposta original: investigar o seu inconsciente além da infância atual, ou seja, situações de outras vidas que sintonizasse com o "vazio interior" como característica integrada ao seu modelo comportamental. E a regressão mostrou que essa tendência a acompanha desde outras vidas como traço inconfundível de seu caráter e temperamento. Essa é a finalidade da Psicoterapia Interdimensional: focar o problema e redimensioná-lo em seu amplo contexto, cujas origens encontram-se intimamente relacionadas à trajetória do espírito imortal. E nesse sentido, Cristina começa a entender que para libertar-se de seu histórico desconforto psíquico, precisa preencher a sensação de vazio interior com a aceitação e prática de valores que promovam o seu crescimento integral.
Observação: o verdadeiro nome da pessoa foi preservado.

Mendigando Amor

O amor é, sem dúvida, o mais poderoso alimento para nossa alma.
Pessoas felizes e bem resolvidas amam, antes de tudo, a si mesmas.

Só, então, tornam-se capazes de direcionar seu amor ao restante do mundo.

Muitos seres humanos, porém, ainda vêem o amor como algo que precisam conquistar no exterior.


Merecer e alcançar o amor de alguém é, para eles, o principal foco de atenção de suas vidas.

Entretanto, se ao invés disso, voltassem seus olhares para dentro de si mesmos e buscassem descobrir ali o que tanto procuram, certamente se sentiriam preenchidos e prontos para compartilhar esta plenitude com os demais, ao invés de mendigar o amor como os famintos imploram por comida.

Quando nos tornamos dependentes de uma fonte externa de alimento para nossas almas, ficamos extremamente vulneráveis, visto que toda forma de dependência nos fragiliza e pode nos levar a abrir mão de princípios e valores, apenas para obter a aceitação alheia.

Cuidar de si mesmo é o primeiro passo para se ter uma auto-estima forte, pois esta é a melhor garantia contra a indigência afetiva. Mendigar amor reduz as chances de que despertemos a admiração e o respeito do outro, condições essenciais para que este sentimento possa florescer.

Quando, ao contrário, nos colocamos diante do mundo de maneira confiante, expressando nossas melhores qualidades com segurança, tornamo-nos muito mais atraentes e podemos abrir mão de qualquer concessão para ter o amor e a admiração alheios. Eles simplesmente virão como reflexo de nossa própria luz.
"Nunca pense em termos de os outros terem que amar você. Isso é uma atitude errada; está enraizada na infância. Uma criança simplesmente espera ser amada. E, é claro, é natural para uma criança, porque, como a criança pode amar? Uma criança de um dia de idade - como ela pode amar? Ela não pode nem sequer segurar o dedo da mãe. Ela não pode fixar seus olhos na mãe; tudo é turvo. Ela não sabe quem é a mãe e quem é quem. Como você pode esperar que ela ame? Ela simplesmente recebe amor.

Pouco a pouco ela aprende uma coisa: que os outros têm que amá-la. Isso é bom na infância, mas a pessoa tem que ir além - só então você se torna um adulto. Um homem se torna um adulto no dia em que ele começa a sentir que agora ele tem que amar. Não é uma questão de alguém amá-lo.

... Você não é mais uma criança. Você está se comportando dentro de um padrão infantil. Comece a amar. Quanto mais você amar, mais você verá que mais pessoas estão vindo até você para amá-lo, porque o amor atrai amor assim como o ódio atrai ódio.

Se você odiar, as pessoas o odiarão. Se você amar, as pessoas o amarão. Mas não se incomode se os outros o estão amando ou não. Simplesmente ame. Amar é uma atividade tão prazerosa - quem se importa se há algum retorno ou não? É como cantar. Você canta e se deleita. Se alguém aplaude, ótimo. Se ninguém aplaude, é uma questão deles. Você se deleita da mesma forma.

Comece a amar. E não peça amor. O amor será uma conseqüência natural..... Ele é uma graça. É um presente. Ele vem porque toda a existência está cheia de amor. Não é porque você tem capacidade, não é porque você tem algum valor que ele vem para você. Não, ele vem para você porque toda a existência é cheia de amor. A existência é feita da matéria chamada amor. É exatamente como o ar que o circunda. Você simplesmente inspira e expira e a coisa continua.

Assim, esqueça sobre merecimento. Comece a amar, e você verá o amor chegando, florescendo. Ele vem mil vezes mais. Simplesmente compartilhe e continue a meditar".

Amor não é algo que se sente. É algo que se faz!

Não é novidade nenhuma afirmar que um dos problemas mais graves e recorrentes em qualquer relacionamento é o da comunicação. A começar pelo significado da dinâmica (sim, porque comunicar-se é como um tango, delicado e profundo ao mesmo tempo!). Muitos casais sequer sabem do que é feita a autêntica e eficiente comunicação.

Comunicar-se com a pessoa amada não inclui somente falar, seja sobre o que pensa, sente ou quer, como a maioria acredita. Inclui especialmente e acima de tudo, ouvir. Mas não ouvir somente com os ouvidos, somente as palavras que estão sendo ditas, somente o que é conveniente.

Para que uma conversa realmente termine bem, ou seja, sirva para resolver pendências, amenizar crises e solidificar o amor, seus interlocutores devem ouvir com todo seu ser, incluindo sensibilidade, intuição e a firme decisão de - por mais difícil que seja - compreender o que o outro está pensando, sentindo e querendo!

Mas por que isso parece mesmo tão difícil? Simplesmente porque aprendemos que conversas entre casais que discutem alguma divergência têm de virar briga, onde cada um deve tentar falar mais alto que o outro e provar, a qualquer custo, que está com a razão! Aprendemos, infelizmente, que conversas são como jogos, e servem para mostrar quem é o vencedor e quem é o perdedor! Mas, definitivamente, isso nunca funcionou e nunca vai funcionar!

Simplesmente porque num relacionamento, seja ele de que nível for, não existe um certo e um errado e, sim, dois pontos de vista, dois pedidos, dois sentimentos, duas interpretações, dois universos que, em última instância - e isso posso afirmar com toda certeza do mundo - só querem ser aceitos, amados e felizes!

Mas enquanto um e outro falarem como se disparassem flechas em direção ao alvo, enquanto tentarem impor seus desejos e repetirem frases-feitas do tipo "com você, não dá para conversar", "você nunca me ouve", "você é um egoísta-cabeça-dura", não vão chegar a um consenso, muito menos à paz que tanto desejam (mas não sabem como alcançá-la).

Parece mesmo paradoxal essa vontade de viver um grande amor, cheio de alegrias e aquela harmonia de quando estavam completamente apaixonados e, ao mesmo tempo, essa estranha e angustiante fome de discussão, desentendimento e embate pelos motivos mais bobos, pelas razões mais infantis, por questões que, no fundo, na maioria das vezes, não têm nem metade da importância que se dá a elas durante uma briga.

A impressão que fica é que, em algum momento da história, solidificou-se a idéia - completamente equivocada e ineficaz - de que amor é isso: uma queda de braços, um interminável vai-e-vem de destilar a própria raiva à custa do outro para, em seguida, arrepender-se e fazer as pazes. Mas acontece que isso só serve para desgastar a relação, acumular mágoas e amontoar frustrações.

O que sobra? Cada qual no seu limite, a sensação de que não vale mais a pena. Pronto: este é o começo do fim! Um fim medíocre, sem uma razão que realmente o valha, mas - ao mesmo tempo - com todas as razões que foram - irresponsavelmente e pelos dois - cavadas, acumuladas e amontoadas dia após dia!

Talvez você diga: "eu bem que tento conversar, mas o outro não tem condições"! Ok, mas você tenta quanto? Até o outro dar a primeira resposta torta e grosseira e você pensar: "ah, mas não vou mesmo ficar aqui ouvindo isso", e daí aumenta o tom de voz o máximo que pode para deixar bem claro que você tentou, mas que com ele é impossível? Ou, talvez, simplesmente desiste da conversa e sai, alegando sua superioridade?

Assim, pode estar certo de que não vai funcionar! Se você realmente deseja se entender com quem ama, tente mais! Tente até o fim. Não aumente o tom de voz, fale com calma e repita, quantas vezes forem necessárias, que você deseja compreendê-lo. Para tanto, faça perguntas, peça para que ele explique como está se sentindo, por que reagiu de tal forma, enfim, esmiúce detalhe, interesse-se de verdade pela dor do outro e tenha a certeza de que isso, sim, é amor!

Mais do que declarar o que você sente, mostre! Afinal, pode apostar: Amor não é algo que se sente. É algo que se faz!

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