domingo, 23 de janeiro de 2011

Vida após a morte: Mito ou Realidade?

"A alma do homem é como água;
vem do céu, ao céu retorna,
e depois retorna à Terra,
 em eterna alternância".
J.W.Von Goethe


Uma leitora de meus artigos enviou um e-mail questionando-me sobre a vida após a morte: "Você descreve através dos casos clínicos de seus pacientes a vida após a morte, as outras dimensões com detalhes. Como você sabe que tudo isso é uma realidade? Não será pura imaginação de seus pacientes? A minha religião diz que não existem espíritos".


O questionamento dessa leitora evidencia o desconhecimento e o despreparo de nossa cultura ocidental materialista que acredita que a vida começa com o nascimento e termina com a morte. Evidencia também o preconceito, a ignorância, o medo que algumas religiões colocam na cabeça de seus fiéis a respeito da morte e da comunicação com os espíritos, e isso os impede de estudar esse tema de forma séria e aprofundada.


Há também aqueles que vêem a morte não como um fenômeno natural, mas um tabu, a ponto de não gostar sequer de tocar nesse assunto. Outros ainda têm um conhecimento espiritual parco, sem profundidade, um conhecimento pseudo-religioso, supersticioso.
Neste aspecto, a religião pode ser um obstáculo à verdadeira espiritualidade, que é a libertação do espírito, de sua essência.


A história das religiões (até hoje) tem muito a ver com o poder, o dinheiro e pouco a respeito da espiritualidade. A bem da verdade, vida após a morte, reencarnação, comunicação com espíritos e plano espiritual, são assuntos que não pertencem exclusivamente ao espiritismo e nem à religião nenhuma. Ou seja, a realidade espiritual é um fenômeno natural que sempre existiu e que sempre existirá. Por isso, os povos primitivos, os filósofos gregos, orientais, os índios xamãs, os sacerdotes egípcios, etc., falavam com a maior naturalidade sobre esses assuntos.


Prevejo num futuro -não muito distante- uma Universidade do Espírito, uma ciência oficial do Espírito que irá estudar de forma mais aprofundada a reencarnação, o plano espiritual, o corpo astral, o duplo etérico, etc.. Uma Universidade que fará um intercâmbio entre os dois mundos, o físico e o sutil. Daí a importância de se rever essa visão teológica equivocada, incoerente, preconceituosa sobre Deus e espiritualidade, ainda pregada por muitas religiões.


Sabemos que a Igreja Católica primitiva, até o 2º Concílio de Constantinopla, ocorrido em 553 d.C., aceitava a tese da reencarnação. Mas o imperador Justiniano, após essa data, decretou que reencarnação não existia, substituindo-a pela ressurreição.
Muitas coisas ditas por muitas religiões sobre o Cristo são fantasiosas, mitos, transformando-o em objeto de altar e de santificação. Por isso, para muitos, Jesus ainda é visto como uma figura intocável, inacessível, distante. Desta forma, obviamente, essas pessoas não se sentem merecedoras de seu amor ou mesmo de se comunicarem com ele, por se considerarem pecadoras, impuras. No entanto, Jesus não criou nenhuma religião, mas fez revelações sobre as leis divinas que regem o universo.


Portanto, o que é interessante é a experiência direta com a espiritualidade, jogando fora os preconceitos religiosos, os mitos, os medos em relação aos espíritos.


Explica por que a TER é uma terapia independente, desvinculada de qualquer instituição, religião, seita, grupo espírita ou espiritualista, pois não visa doutrinar o paciente, mas de convidá-lo a fazer suas próprias vivências e experiências nas sessões de regressão para que no final do tratamento tire suas próprias conclusões.


Caso Clínico:
Depressão e crise de fúria
Homem de 34 anos, solteiro.


O paciente veio ao meu consultório querendo entender por que teve três crises de fúria incontrolável a ponto de ter que ser internado, amarrado e sedado numa clínica psiquiátrica. Antes dos 30 anos era uma pessoa normal, calma, serena, nunca havia se envolvido em brigas. Mas após completar essa idade teve sua primeira crise de fúria e com luvas de boxe destruiu o seu apartamento. Tinha consciência de tudo, mas não conseguia controlar suas ações. Via pessoas mortas no aparelho de TV conversando com ele, entregando-lhe mensagens.


Acabou sendo internado numa clínica psiquiátrica e ficou 20 dias tomando medicação antipsicótica, pois foi diagnosticado como esquizofrênico e bipolar.


Os remédios o deixavam apático, um morto-vivo, ele não tinha mais prazer em fazer as coisas, a vida não fazia mais sentido. Acabou terminando seu relacionamento com a namorada.


A segunda crise de fúria ocorreu na hora do almoço: ao sair do trabalho entrou em crise e acabou socando o vidro de um carro e a porta de uma lanchonete. Andava com passos pesados e musculatura enrijecida; destemido, não tinha medo de nada.


A polícia chegou e o deteve batendo nele com cassetetes e foi só assim que o paciente voltou ao seu estado normal. Ficou 15 dias internado novamente na clínica psiquiátrica.


Nas terceira crise, ele via constantemente o número 666 (é o número da besta, de Lúcifer, a que se referiu João em Apocalipse 13.18):


-"Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, porque é número do homem; e o seu número é seiscentos e sessenta e seis".


Esse número o perseguia em todos os lugares. À noite em sua casa, com sua mãe (paciente mora com a mãe), esmurrou o vidro da mesa de jantar e quando jorrou sangue de sua mão, desenhou uma cruz com o seu próprio sangue na parede branca da sala. Tinha a impressão que estava enfrentando Lúcifer, desafiava-o lendo uma passagem da Bíblia e lhe dizia: - Vem, quero ver agora! Aqui ninguém vai mexer com a minha família. Vem para cima de mim que estou com muita força!


Em seguida, apareceu a imagem dos três chefes que o prejudicaram no trabalho.


Ele queria entender também por que as três crises de fúria ocorreram no feriado de Corpus Christi. Nessa última crise, que foi a mais violenta, teve que ser amarrado e sedado novamente na clínica psiquiátrica. Mesmo tomando medicação, continuou vendo o número 666, e só não o enxergou mais após sair da clínica.


Ao regredir, o paciente me relatou:
-"Sinto calor e frio no corpo: o lado direito está quente e o esquerdo frio, mas o frio está mais acentuado".


- Você consegue ver o portão? - Pergunto ao paciente (o portão é um recurso técnico e sempre peço que o paciente o visualize, que funciona como um portal que separa o mundo físico do mundo espiritual, o presente do passado).


-"Sim, é um portão bem antigo do período medieval; é bem grande, de madeira rústica, resistente e pesada...
Tenho a impressão que uso uma armadura que cobre também a minha cabeça. Na verdade, a impressão que tenho é que sou mais alto que esse portão. Eu me sinto um gigante e bem forte. Fico em dúvida se chuto esse portão; basta dar um chute para derrubá-lo.


Vejo agora uma multidão de gente parada, me olhando; vejo de cima, pois me sinto muito alto. Vejo também a imagem de uma mulher toda de branco... parece a Nossa Senhora. Eu a pego na minha mão... agora me levanto e a deixo no chão com toda delicadeza. Vou andando, tomando cuidado para não pisar em ninguém. Penso em Cristo, e sinto uma paz muito grande".


Na sessão seguinte, ele me relatou:
-"Dessa vez o portão não é de madeira rústica... Na verdade, é uma cortina, um véu que balança com o vento. Ele é leve como uma cortina de seda; é muito suave. É o oposto daquele portão pesado que vi na sessão passada, quando eu era um guerreiro de armadura pesada - sentia-me muito alto e forte e tive a impressão de que matei muitos inimigos com a minha espada. (pausa).


Agora, vejo seres de branco... é um lugar todo branco (paciente estava vendo o plano espiritual de luz). São homens, mulheres e crianças. Alguns tocam no meu peito e outros no meu braço. Estão me recebendo surpresos, com admiração. É muita gente, estou deitado numa maca, sendo levado para o hospital do astral. (pausa).


Estou sendo tratado, os meus músculos estão sendo restaurados. (pausa). Eu me levanto, não vejo o chão, não tem piso, o lugar é todo branco. Uso agora uma armadura também branca, não é pesada como a que usava, e a minha espada é de luz... Na verdade, é um facho de luz que sai de minha mão, como se tivesse me preparando para ser um guerreiro de luz, o oposto de quando era aquele guerreiro medieval. Troquei a violência pela sutileza. Os seres de luz estão me dando um passe, me purificando. (pausa).


Vejo agora uma fila enorme de cavaleiros de armaduras de prata, como a que vestia antes. Seus rostos estão cobertos com capacetes. Estão parados, enfileirados, diante de mim. Peço para os cavaleiros da primeira fileira tirarem os capacetes para descobrir quem são...
Eles tiram e vejo as figuras dos meus três chefes que me prejudicaram no trabalho. O primeiro chefe me assediava moralmente; o segundo me obrigou a trabalhar, não me liberou, no dia em que o meu pai veio a falecer no hospital; e o terceiro pegou todas as minhas idéias e falou ao seu superior que eram dele.


Vejo-os agora feridos num campo de batalha dessa vida passada... acho que tirei suas vidas nessa batalha. (pausa). Eu levanto as mãos -como em imposição- e jogo luz nas feridas de seus corpos... e agora eles estão bem, sorrindo. Jogo também luz para aquelas fileiras de cavaleiros para que sejam curados. Tenho a impressão de que todos esses cavaleiros estavam me prejudicando, bloqueando, travando a minha vida. (pausa).
Estou pedindo perdão, de coração, por ter tirado suas vidas...
Agora sumiram... não os vejo mais.


Agora entendo: as três crises de fúria que tive eram a luta do bem contra o mal. Ou seja, nas crises fiquei enfurecido exatamente como na vida passada, pois eu representava as trevas, era um guerreiro do mal; mas, ao pintar com o meu sangue a cruz na parede de meu apartamento e lendo um trecho da Bíblia, eu já era um guerreiro da luz.
Portanto, dentro de mim havia dois guerreiros: um do bem e o outro do mal.
Na primeira sessão, era o meu ego, o meu orgulho e a força física que me colocavam como um cavaleiro medieval gigante e forte, pois era um guerreiro das trevas.


Entendo que nas três crises de fúria que enfrentei, veio à tona o meu lado de guerreiro das trevas e da luz ao mesmo tempo. Por isso que na primeira sessão senti a metade de meu corpo quente (luz) e a outra metade fria (trevas).


Como guerreiro que fui, trabalhava tanto para as trevas, para Lúcifer, como para a luz, para Jesus. Explica também por que as três crises ocorreram justamente na semana do Corpus Christi. (pausa).


Está vindo à mente que para ser definitivamente um guerreiro de Lúcifer, teria que me suicidar na vida presente. As crises de fúria na verdade foram ataques dos seres das trevas que queriam que eu me matasse, me suicidasse.


Na vida atual, foi me dado uma chance para escolher o caminho do bem ou do mal. Ou seja, antes de encarnar, foi feito um acordo entre Lúcifer e Cristo, onde Lúcifer teria a chance de me levar para as trevas definitivamente, caso eu cometesse o suicídio até os meus 34 anos de vida. Mas como não me matei, Lúcifer perdeu a batalha.
E, com isso, passo a ser definitivamente um guerreiro da luz. Até ontem minha vida era regida por Lúcifer, que era o meu mentor espiritual; a partir de hoje (15/12/2010), Cristo passou a ser o meu mentor espiritual.


Nas três crises de fúria, eu pegava a força de Lúcifer, mas, quando chegava minha família, entrava a interferência de Cristo. (pausa).
O mestre estende os braços para mim e me diz: 'Eu sou teu mentor, confie em mim que sua vida vai mudar daqui para frente. Obrigado por perseverar!' (paciente fala chorando).


Vejo agora o rosto de meu avô falecido (nessa terapia, é comum o parente desencarnado do paciente aparecer mostrando só o rosto, raras vezes o corpo inteiro).


Ele diz que está muito orgulhoso de mim, que todos os familiares desencarnados estavam assistindo esse embate entre o bem e o mal. Foi por isso que após atravessar aquele véu, no início dessa sessão, entrei na luz e vi um monte de seres de luz que me receberam muito contentes. Ele fala que foi uma vitória da luz (sugiro que o leitor leia um artigo que escrevi, cujo título é Embate espiritual: Uma guerra silenciosa e desigual).


Ele revela também que todos estavam me acompanhando nesses 34 anos, na expectativa do que eu iria fazer com a minha vida.
O meu avô finaliza dizendo que não foi por acaso que a minha mãe veio morar comigo em meu apartamento, pois ela é a mensageira de Maria e de Cristo, para me apoiar nas crises de fúria que sofri".


Osvaldo Shimoda

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