quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Vento, ventinho...

 
Folha, folhinha

caída no chão

me mostra o caminho que você vai fazer hoje?

Será que somos iguais?
 
Será que sou levada pelo vento e pelos pés nas ruas,
pés que me pisam,
me arrastam,
ou em alguns momentos,
desviam de mim?

Será que eu também vivo de acordo com as estações?
 
São elas que ditam pra onde eu vou?
 
Se fico no alto ou se vou pro chão?
 
E se me refaço, eu volto pro alto?

Quem te ama folhinha?
 
Alguém já te disse isso?
 
E se ninguém nunca disse,
eu acho até que isso é bom.
 
Porque as poucas pessoas que me disseram algo desse tipo,
fizeram coisas que não tinham muito sentido.
 
Fiquei com alguns machucados.
 
E eu penso que se você sobrevive a tanta coisa...
 
Será que eu também renovo minhas cicatrizes?
 
Ou será que acumula?
 
Talvez seja como as multas que eu recebo do trânsito,
talvez elas expirem dentro de um ano e aí cedem lugar para outras...

Eu não sei o motivo, mas pensei muito em você hoje, folhinha.
 
Pensei que quero te seguir pra ver se você me leva junto com você.
 
As folhas vão pra algum lugar interessante,
porque eu nunca vi uma folha voltar.

Quero saber se você tem pressa como eu!!
 
 E se você tem preguiça de algumas fases da vida.
 
E não é aquela preguiça preguiçosa,
só pra ficar à toa,
é aquela preguiça pretensiosa,
de achar que têm coisas que a gente já sabe
e não precisa passar.
 
Mas vou te confessar:
Eu vivo muitas situações,
muitas mesmo,
ao mesmo tempo.
 
E eu, que acho que sempre vou saber lidar com tudo,
mas às vezes me pego repetindo besteiras,
 repetindo tolices e sofrimentos.
 
Eu não quero isso pra mim.

Eu quero que os ventos me levem pra longe bem na hora
que eu desejar que eles me levem.

Me diz, folhinha,
é você que manda nos ventos?
 
É você quem diz pra ele a hora certa de sair da sua árvore?

Porque eu já não me aguento das mesmas pessoas,
dos mesmos lugares,
das mesmas palavras soltas,
dos mesmos sonhos e da vida que me leva tão devagarzinho.

Folhinha,
conversa com ele então e
pergunta se ele não está na contramão.

Enquanto isso eu canto:

'Folha, folhinha
Me mostre sua trilha
Me apresente seu amigo
Vento, ventinho
Me mostre a direção
Me abrigue em algum outro coração
Folha, folhinha
Vento, ventinho
E eu,
sozinha
E eu,
sem caminho'

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