sábado, 18 de dezembro de 2010

Amor Barato

Ela gostava de ficar andando nua pela casa depois que transávamos. Eu ficava olhando pensativo.

Com a luz apagada e seu corpo sendo iluminado apenas pela luz da Lua que entrava pela janela.

Ela fingia procurar algo na parte de cima do guarda-roupa só para me provocar...

Ficava na ponta dos pés e os longos cabelos castanhos estendidos nas costas, e quando ela virava o pescoço eu via no canto de seus lábios um sorriso malicioso.

Aquelas noites sendo iguais, eram sempre diferentes uma das outras. Todas as noites ficávamos fazendo amor, conversando e as vezes ficávamos apenas olhando um ao outro, enquanto um de nós dormia.

Ou então a madrugada passava em gritos e brigas sem sentido.

Eu nunca soube e acho que nunca saberei se aquela era realmente ela. Se ali ela se libertava ou se entre risos e lágrimas não havia um teatro. Uma forma de sair da rotina ganhando dinheiro.

Não sei. E acho que nem quero saber. Eu estava de férias e tudo parecia maravilhoso de uma maneira estranha e real. Real porque tudo que é muito bom dura pouco. E foi assim que aconteceu.

Durante o verão meus ouvidos se deliciavam com sussurros ou gemidos dela, com o bater das ondas nas pedras e a brisa abrindo de leve a cortina do quarto.

Meus olhos eram feitos para os dela e para a pouca luz que entrava pela sacada e pela cortina que parecia relíquia vinda de algum lugar praiano do México ou de Cuba.

E minhas mãos e boca eram dela. Dos seus seios, pequenos e convidativos. Do seu longo cabelo. De suas grossas e lindas pernas que se entrelaçavam no meu quadril enquanto meu corpo pesava no seu, e eu sentia seu cheiro em meio ao cheiro natural de sexo que impregnava o lugar. Era tudo como se fosse lua-de-mel.

Mas o sol me trazia luz e me tirava ela.

Eu abria minha carteira, pagava o que tinha que pagar e ela agradecia profissionalmente.

E daquele jeito lindo e trágico acabava mais uma noite de amor barato...
























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