quarta-feira, 16 de junho de 2010

Maturidade sexual pode ter influência genética

Estudos já haviam indicado que crianças que crescem em um ambiente onde a figura do pai biológico é ausente despertavam mais cedo para a sexualidade do que filhos de famílias com estrutura mais tradicional. Entretanto, ao contrário do que apontavam pesquisas anteriores, um novo estudo conjunto levanta a hipótese da influência genética.

Os pesquisadores sugerem que a herança genética pode influenciar um despertar sexual mais precoce. A partir da análise dos dados coletados por uma pesquisa longitudinal – feita com uma ampla gama de indivíduos e de longa duração – um estudo conjunto feito por pesquisadores de diversas universidades dos EUA (incluindo a Universidade do Oregon e de Virginia) tentou entender essa instigante associação.


De acordo com a teoria vigente, que se baseia na análise ambiental, a ausência do pai dentro de casa leva a um processo de estresse que pode acelerar o desenvolvimento físico das crianças. Ao mesmo tempo, ver a mãe ter novos relacionamentos pode fazer que essas crianças imitem as situações. Mães que criam seus filhos sozinhas também podem ter dificuldade para supervisionar as atividades das crianças com seu círculo social.


“Mas nosso estudo indica que a associação entre a ausência paterna e a sexualidade das crianças e adolescentes pode ser mais bem explicada pela influência genética, em contraponto à teoria ambiental de forma isolada”, diz Jane Mendle, pesquisadora da Universidade do Oregon e principal autora do estudo.


Mendle e sua equipe analisaram os perfis genéticos de mais de mil adolescentes com mais de 14 anos de idade e com laços familiares (primos e meio irmãos, por exemplo). O estudo também aplicou questionários sobre nível educacional, econômico e religioso, entre outros.


Ao comparar a genética dessas crianças da mesma família, os pesquisadores identificaram que as idades do primeiro ato sexual neste grupo muitas vezes coincidiam, independentemente da presença ou não do pai. Quanto mais genes compartilhados, maiores as chances das idades para a primeira experiência sexual serem similares.


Contribuições genéticas de pais e mães
Os pesquisadores envolvidos no estudo dizem que isso seria um indício de que as teorias ambientais não explicariam totalmente o quebra-cabeça que é a associação entre ausência paternal e sexualidade.


“Apesar de não existir algo como ‘gene da paternidade’, há contribuições genéticas tanto do pai quanto da mãe que poderiam explicar comportamentos como maior impulsividade, atividades sensoriais mais intensas e mesmo uma capacidade de argumentação desenvolvida mais precocemente que poderia ter relações com a iniciação sexual”, arrisca Mendle.


“Essas heranças genéticas podem passar de pais para filhos e resultam no que é chamado ‘correlação genético-ambiental passiva’, o que leva a crer que determinados fatores genéticos que contribuem para o amadurecimento sexual também têm alguma influência sobre a falta de laços que os pais desenvolvem”, observa Mendle.

0 comentários:

Template - Dicas para Blogs