sexta-feira, 18 de junho de 2010

LEMBRANÇA DE UMA TEMPESTADE

Era um boteco imundo perto da Higienópolis.
Refugiei-me nele quando a tempestade
caiu sobre a cidade, entupindo os esgotos
e mudando a avenida em sujo lençol d´água.
Entre putas escrotas e burros-sem-rabo
eu escutava a chuva cair nos telhados.
Minha infância voltava, e era a velha música
imbecil de um piano sempre avariado.
O presente e o passado se uniam nas bátegas.
Os bueiros cantavam a canção urbana
da água escura impedida de escorrer nos cantos.
Pedi um sanduíche e um copo de cachaça.
Depois foi o céu claro e veio a nuvem branca.
E a luz do sol voltou a imperar na cidade.

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