domingo, 13 de junho de 2010

IMPORTA, CONTUDO, 
CAMINHAR HOJE, AMANHÃ E DEPOIS...
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Minha estrada sempre foi tortuosa e sombria, pois eu assim a tracei com meus próprios pés. De onde eu vinha, trazia só cicatrizes de cada espinho arrancado, de cada pedra pisada.


Tudo foi sempre muito escuro e triste no meu caminho, pois só a solidão parecia querer me acompanhar. Ainda assim, eu caminhava. Passo a passo, eu seguia a minha sina. A sina que a mim mesma impus.


Caminhava cegamente, até que um dia cansei-me. Cansei-me das dores, cansei-me da angústia, cansei-me de mim: inútil e miserável andarilha do nada. Cansei-me a tal ponto que desisti de caminhar e deixei-me ficar ali mesmo, sentada à beira da estrada, largada e indiferente. Indiferente ao tempo, indiferente ao espaço, indiferente à minha própria razão.


Minha consciência, porém, não me dava tréguas. Dizia-me a todo instante: "Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois."


"Caminhar... Caminhar... Caminhar para quê? Caminhar para onde? De onde eu venho só trago farrapos do que restou de mim. Para onde eu vou nem mesmo eu sei!", pensava de mim para comigo.


"Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois.", repetia-me sempre aquela voz na consciência. E, quanto mais eu ouvia, mais angustiada ficava e mais me questionava.


"Caminhar... Caminhar é só o que tenho feito desde sempre. E onde foi que cheguei? De que me valeu tanto sacrifício? O que foi que ganhei com tanta caminhada?", questionava-me revoltada e incrédula.


Mal terminava eu a minha queixa quando, no mesmo instante, fez-se luz em meu caminho. Toda a minha estrada ficou à vista, tudo o que eu era e fizera estava então à mostra. Sem sombras, sem escoderijos, sem dúvidas...


Só, então, foi que pude perceber que em cada espinho onde eu me machucara antes havia nascido uma flor... Em cada pedra onde eu sangrara meus pés havia brotado uma fonte... Em cada pegada deixada para trás com tanto custo brilhava agora uma luz...


E, bem ali, onde eu estivera sentada questionando-me, estava Jesus, o Mestre Eterno, olhando-me com imensa doçura, esperando e repetindo pacientemente: "Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois". (Lc 13:33).

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