domingo, 13 de junho de 2010

À FLOR DA PELE


O maior mal da humanidade é tudo aquilo a que ela se apega, é a teimosia em não aceitar que nada é para sempre. Cada dor humana é um apego em trabalho de desintegração. Cada ferida aberta é um apego em processo de drenagem e eliminação.


O único fogo que atinge o espírito é aquele que nasce em seu próprio coração, atiçado por suas próprias paixões, pelos seus próprios medos, pelo seu próprio apego àquilo que crê ser a sua realidade. E esse fogo será eterno enquanto durar sua ilusão.


O fogo que destrói o corpo físico arde enquanto há combustível material e acaba por extinguir-se, naturalmente, mais cedo ou mais tarde. Mas o fogo que queima o espírito, e não o destrói, é inextinguível e se reavivará sempre que a consciência buscar reviver seus apegos e seu egoísmo.


No plano físico, as chamas destróem o corpo, encerrando uma vida material, mas, no plano espiritual, desintegram-se, uma após outra, milhares de ilusões mesquinhas e passionais, que foram se acumulando ao longo de uma história espiritual, ao longo de milhares de existências materiais.


O fogo queima corpos e formas-pensamento, no físico e no astral, mas não é só ele que age desta forma. Há criaturas que, diariamente, ardem, de dentro para fora, quase imperceptivelmente, drenando e desintegrando séculos e séculos de crostas energéticas encravadas em sua própria estrutura espiritual.


Milhares de encarnados vivem esse "ritual" diário, purificando-se no fogo em que se consomem, sem se destruírem, o qual não lhes permite que se esqueçam de suas necessidades primordiais.


A purificação, embora simples, nunca foi um processo fácil e indolor, nem mesmo para as rochas materiais. Tudo o que existe precisa arder, queimar, atritar, passar pela dor para se purificar, livrando-se das impurezas de sua natureza ainda imperfeita, para, aos poucos, exibir sua verdadeira essência luminosa.


Por esse motivo as doenças de pele, entre os encarnados, parecem tão misteriosas e intratáveis, desafiando tantos médicos e cientistas nos mais renomados centros de tratamento do mundo.


Elas são as mais incômodas por sua aparência, na maioria das vezes, desagradável e repugnante, mas são também as mais simples de serem tratadas por terem sua origem e fonte no próprio coração humano.


Mesmo as mais contagiosas não passam de doenças da alma, doenças do sentimento, doenças originárias do apego, que contaminam todos aqueles em que encontram egoísmo, vaidade e mesquinhez exacerbados.


"Ter os nervos à flor da pele" não é apenas força de expressão. "Ser carne e unha" com alguém não é figura de linguagem. "Sentir na pele" alguma experiência não é mero jeito de falar.


Na pele humana, o maior órgão do corpo, estão as terminações nervosas sensoriais mais delicadas e sensíveis e é nestas terminações que se concentram as ligações mais profundas do corpo físico com o perispírito (corpo espiritual, corpo astral, psicossoma). Em verdade, estas não são ligações vitais para a manutenção do corpo, mas são primordiais para os processos de purificação e renovação espirituais, objetivo primeiro de toda encarnação.


Quanto mais o encarnado luta contra o seu problema de pele, mais este se intensifica, para apontar-lhe o verdadeiro mal, que não está na superfície externa do corpo físico, mas nas entranhas mais profundas do ser espiritual.


Quanto mais um médico tenta curar e eliminar um problema de pele, mais este problema o desafia, enganando-o e zombando de seus conhecimentos acadêmicos, mostrando-lhe que a cura, a verdadeira cura, jamais acontecerá de fora para dentro, a partir de seus diagnósticos e prescrições, mas, única e tão somente, de dentro para fora, quando o seu paciente se conscientizar e decidir encarar o próprio problema sem medo e sem vergonha.


Neste processo, a única coisa que cabe ao médico fazer é acompanhar, de perto, o paciente, ministrando-lhe medicamentos que lhe dêem força para que não perca nunca de vista a verdadeira razão do próprio mal. Remédios e recursos materiais são válidos, mas servem apenas para dar ao paciente uma trégua, para que ele mesmo compreenda o seu mal e encontre a sua cura.

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