quarta-feira, 16 de junho de 2010

Fetiche

- Isso, assim, Aninha... Aí, agora com um pouquinho mais de força, com jeito... Ah, que maravilha, tô ficando doidão! Coisa linda!
- Esfrega mais?
- Sim! Mas esfrega gostoso, meu bem. De ladinho mesmo. Vai, ESFREGA! ISSO, NÃO PARA!!!
- Tempo, tempo! Meu braço tá doendo já.
- Pôxa, você estava indo tão bem...
- Credo, esse tapete tá muito encardido. Tô esfregando essa escova nele há meia hora e... nada! Não é melhor você pagar alguém pra fazer isso?
- Jamais! Eu já não te disse que fico excitado ao ver você limpando a minha casa? Então...
- Sei não, tô começando a achar que isso é só uma desculpa pra você economizar com faxineira.
- Eu??? Aninha, não me fale uma barbaridade dessas, por favor! Você acha que eu seria capaz de fazer uma crueldade dessas com você? Você acha? Fiquei ofendido agora, sério.
- Ah, sei lá...
- Eu tenho culpa se descobri, justamente com você, que o meu maior fetiche é ver uma mulher linda e graciosa, bem do seu estilinho, fazendo a faxina na minha casa? Eu tenho culpa???
- Ah, Di... Acontece que é algo bem cansativo, sabe?
- Eu sei, meu xuxu. Sou solidário com você. Te entendo perfeitamente! Mas o que é melhor? Que o seu amorzinho aqui fique insatisfeito sexualmente ou que ele te veja com essa escova de limpeza na mão, como se fosse a coisinha mais... mais... deliciosa que existe na face da Terra???
- A segunda opção, Di... é claro.
- Então, já descansou o bracinho? Já? Tá melhorzinho, né? Vem cá, vem! Eu quero ver você no banheiro, agora! Ah, você limpando o meu banheiro é uma LOUCURA! Vai lá... vai! Linda!


Quando alguns amigos mais próximos o recriminavam por abusar da coitadinha, só porque ela estava apaixonada, ele se justificava, indignado: "Vocês têm ideia do absurdo que uma faxineira cobra por meio período? Têm??? Então..."


*************
No começo, ele achara interessante aquele fetiche da namorada. Original. Com o tempo, acabou se cansando, ainda mais quando a conexão do local dava problemas:


- Tudo que eu peço é só uma tentativa. Garanto que você vai adorar! Diz que sim, por favor! - ele implorava, quase ajoelhado naquela suíte de motel. Pelo jeito, ela não ficou sensibilizada:
- Eu já disse. Sem messenger, não rola. Não entro no clima. Esquece!
- Toda preliminar precisa ser pelo messenger? TODA?
- Vou responder pela enésima vez: PRECISA! Você sabe disso. Eu aqui, no meu notebook, e você aí, no seu. Sempre foi assim.
- Vamos sem preliminar então. Já que estamos aqui...
- Nem pensar! Você está cansado de saber também que eu JAMAIS transo sem uma preliminar...
- ... que, por sua vez, você só consegue fazer pelo messenger...
- Exatamente!
- E como era quando não havia isso?
- Meu bem, o começo da minha vida sexual coincidiu com a entrada do messenger na vida de todo mundo. Mais uma coisa que eu já contei milhares de vezes pra você.
- Tá, eu sei, desculpa... É que... pôxa... Seria tão bom se não dependessemos disso, concorda?
- Não! Sou feliz assim, on line. E você é tão bom nisso... você tecla de um modo tão... tão... intenso! Amo!
- Ok, ok... E agora, o que fazemos? Já vimos que não rola conexão aqui. Definitivamente, estamos off line.
- Hum... paciência.
- Ok, paciência. No seu notebook ou no meu?

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