domingo, 13 de junho de 2010

CORAGEM PARA SERMOS NÓS MESMOS


A caminhada neste mundo de aparências e máscaras nos leva, muitas vezes, a pensarmos que somos aquilo que não somos ou que já não somos. Cada situação exige uma postura, cada grupo nos exige assumir um papel, cada vivência nos traz uma nova máscara, e nós, sem nos darmos conta, perdemos o contato conosco mesmo, perdemos a referência de quem realmente somos e para quê estamos aqui.


Onde ficamos nós, os verdadeiros nós, escondidos em meio a todo este cenário? Onde fica a nossa verdadeira essência misturada a todas estas personagens que nos são atribuídas ou que nós mesmos assumimos, sem perceber? Onde fica a nossa real história, abafada por tanta ilusão e tanto espetáculo?


Cada um de nós tem, dentro de si, um universo de emoções, sentimentos e idéias, mas, muitas vezes, falta interesse em conhecer este universo, falta coragem para encará-lo de frente e conhecê-lo de fato, falta disposição para entrarmos em nossos próprios porões para caçar nossos próprios fantasmas.


Aqui e agora somos apenas uma ínfima parte de tudo o que trazemos em nossa essência e não podemos nos basear no que vemos e sentimos nessa situação para calcular tudo o que faz parte da consciência que realmente somos, para muito além da personalidade que assumimos hoje.


O que somos hoje, ou o que vemos e percebemos de nós hoje, representa tão pouco da riqueza que trazemos em nossa essência, que qualquer conclusão, qualquer dedução que façamos com base apenas em dados presentes, será incompleta, injusta e parcial. A única verdade de que podemos estar seguros é a de que somos ESPÍRITOS e, como tais, passamos por inúmeras encarnações, tentando resgatar aquilo que realmente somos: seres espirituais.


Somos todos como imensos quebra-cabeças, cujas peças são todas as encarnações que já tivemos a oportunidade de experimentar. E, em cada peça, há um segredo, uma chave que nos permitirá encaixá-la perfeitamente ao conjunto, tornando-o cada vez mais harmônico e compreensível.


Muitas vezes, as peças parecem não se encaixar; em outras, parecem-nos estranhas e alheias, partes de outros quebra-cabeças; e há ocasiões em que sentimos como se todas as peças estivessem com defeito e já não servissem para mais nada. No entanto, nenhuma delas é inútil, nenhuma se perde. Todas elas são partes do todo e nenhuma pode faltar para que haja coerência e coesão naquilo que verdadeiramente somos.


É fato que vivemos parcialmente alheios a este conjunto imenso e quase que completamente esquecidos do que representa cada peça no contexto maior; mas as peças estão lá, todas, muitas vezes escondidas por outras ou imperceptíveis à nossa visão mais ampla; e outras vezes também prontas para serem encaixadas sem que possamos enxergar a posição correta ou o local exato onde devem ser postas.


Aceitando que somos todos um caleidoscópio de personalidades podemos compreender melhor nossas tendências e impulsos, percebendo, de forma mais nítida, que não viemos a este mundo completamente livres de qualquer influência ou determinante anterior. Somos, hoje, reflexo e conseqüência do que fomos ontem. E seremos, amanhã, reflexo e conseqüência do que estamos sendo hoje.


Não há salto, não há milagre, não há novidade. Tudo se encadeia de tal modo que somos todos herdeiros de nós mesmos. Física, mental e espiritualmente. Herdamos de nós mesmos o que vivenciamos ontem. E, no futuro, continuaremos a herdar aquilo que criamos e guardamos em nós mesmos hoje.


Cada passagem pela vida física, não importa quanto tempo dure, é apenas um trecho da vida espiritual. É preciso compreender que somos espíritos vivendo diversas experiências carnais, que não passam de estágios de aprendizado, aperfeiçoamento e crescimento ESPIRITUAL. Jamais fomos seres carnais tentando alcançar a vida espiritual, pois a vida espiritual é a nossa origem, a nossa essência, de tal modo que nascemos espíritos e, quando encarnamos pela primeira vez neste mundo, já éramos espíritos. E toda vez que desencarnamos deste mundo, continuamos vivendo como espíritos, no mundo espiritual.


Assim, tudo o que precisamos hoje para sermos melhores e nos sentirmos mais felizes, já está dentro de nós, dentro da nossa essência espiritual, dentro do nosso verdadeiro eu. Não há nada que possamos buscar fora, onde quer que seja, que já não esteja dentro de nós mesmos, ainda que temporariamente esquecido ou ignorado. O que falta é apenas coragem para acessar, encarar e trabalhar este conteúdo de forma consciente e equilibrada, participando ativamente do processo, sem que o conteúdo nos possua e determine as nossas ações por impulso.


A vida é uma só: a espiritual. E nela vivenciamos vários papéis de forma tão intensa, que julgamos ser as personagens que representamos. No entanto, as personagens não passam de pequenas parcelas, de diminutos momentos de algo muito maior, mais amplo e mais profundo. É como se, em nós, coexistissem todas as pessoas que já fomos, mais a que somos hoje, cada uma com seu perfil psicológico, sua história, seus sucessos e fracassos, mas todas se mesclando para "inventar" a pessoa que seremos amanhã.


O ator não é a própria personagem que representa, mas torna-se diferente a cada nova personagem, incorporando, à sua própria vida e atuação, aquilo que experimentou a cada papel. Assim também o espírito, que não é nenhuma das personalidades que assume aqui na Terra, mas que torna-se diferente a cada nova personalidade, acrescentando, à sua própria essência e conduta, aquilo que experimenta a cada nova encarnação.

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