sexta-feira, 18 de junho de 2010

Confissão


esperando pela morte
como um gato
que vai pular na
cama

eu sinto muito pela
minha esposa

ela verá este
corpo
pálido
rígido

sacudirá uma vez
talvez
outra:

“Rums!”

Rums não
responderá.

não é a minha morte que
me preocupa,
é minha esposa
deixada com esta
pilha de
nada.

eu quero
que ela saiba
no entanto
que todas as noites
dormindo
ao seu lado

mesmo as discussões
mais inúteis
foram esplêndidas

e as difíceis

palavras
que sempre temi
dizer
podem agora ser
ditas:

eu
te amo.

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