quarta-feira, 16 de junho de 2010

Chocólatras: é possível ser viciado em chocolate?


Os chocólatras de plantão podem confirmar: é comum correr atrás de uma barra desse doce vício quando se está em determinados estados emocionais. Da tensão pré-menstrual (TPM) à ansiedade, o chocolate sempre se mostra um ótimo unguento para a alma. Mas é possível ser viciado em chocolate? Afinal, se ele realmente ajuda a enfrentar as pressões, ou a compensar mudanças hormonais, ao comermos quantidades baseadas na vontade imediata podemos estar cometendo o que os médicos chamam de automedicação e, pior, de maneira descontrolada.


Portanto, a conclusão seria de que algumas pessoas poderiam realmente ser viciadas em chocolate. Uma grande parte do público feminino, ainda, se diz “chocólatra”. Esses indivíduos quase sempre descrevem o hábito de comer chocolate como algo que promove prazer e sentimento de bem-estar momentâneo, e que sua falta pode levar a sintomas de abstinência (como ansiedade e irritabilidade fora da normalidade, por exemplo).


O processo
Quando comemos doces e comidas ricas em gordura, incluindo chocolate, nosso cérebro produz a serotonina, substância que nos faz sentir mais felizes. Isso explicaria parte da “necessidade” em se comer chocolate quando enfrentamos períodos passageiros de depressão leve ou mesmo durante a TPM. Aliás, em muitas mulheres a compulsão pelo chocolate segue um ciclo mensal, o que sugere uma correlação hormonal.


Os chocólatras também demonstram outros sintomas de dependência química. Uma pesquisa da Universidade de Tampere, na Finlândia, mostrou que esses indivíduos demonstram desejo incontrolável pelo chocolate, possuem padrões alimentares irregulares e humores variáveis, além de níveis de salivação e ansiedade fora dos padrões quando na presença da substância. Então, de acordo com os pesquisadores finlandeses, os chocólatras teriam todas as características de dependentes de drogas e seriam, portanto, realmente viciados em chocolate.

Diferenças entre chocólatras e dependentes químicos


Mas mesmo havendo similaridades entre os chocólatras e os dependentes químicos, a maioria dos pesquisadores acredita que o vício em chocolate não seja um vício real. Uma parte é explicada pelo fato da textura e das características sensoriais do chocolate serem mais palatáveis do que outros alimentos que contêm os mesmos níveis de substâncias que agem sobre o humor (como o brócoli, por exemplo). Ele então seria uma opção e, por conta da praticidade do consumo, se tornou popular.


Já a questão da ansiedade poderia ser explicada pela ideia do chocolate ser “bom, mas ruim”, ou seja, gostoso, mas deve ser evitado em grande quantidade. Isso sugere que o desejo intenso sentido pelos chocólatras é um fenômeno de bases culturais mais do que uma questão física, pois ao se deparar com uma barra de chocolate, essas pessoas teriam de gerenciar respostas adversas sobre o que fazer: comer por emoção ou evitar por racionalidade?


E apesar dos indícios que levariam a crer que o chocolate poderia ser uma substância potencialmente relacionada à alguma forma de dependência, na verdade ele é tão perigoso quanto qualquer outra comida altamente saborosa. A moderação, como sempre, é a melhor dica para os chocólatras.

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